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Vacina da gripe dura pouco? Entenda tudo sobre a proteção

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Com a chegada do outono e o aumento da circulação de vírus respiratórios, uma dúvida volta a aparecer: ainda é necessário se vacinar contra a gripe todos os anos? A resposta é sim, e há um motivo importante por trás disso. Especialistas alertam que a imunização anual é essencial para manter a proteção atualizada contra o vírus influenza.

Segundo o epidemiologista do Grupo Fleury, Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, o principal fator é a capacidade de mutação do vírus, que muda com frequência e exige atualização constante das vacinas.

Sob orientação da Organização Mundial da Saúde, essa reformulação é feita a partir das análises de uma rede internacional de vigilância que monitora os vírus em circulação em diferentes regiões do mundo“, explica o especialista.

De acordo com o Ministério da Saúde, os dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.

Imagem: Freepik

Para a subcoordenadora de Doenças Imunopreveníveis de Salvador, Doiane Lemos, a estratégia tem impacto direto na rede de saúde. “O objetivo da estratégia é reduzir complicações, internações e mortalidade decorrentes das infecções pelo vírus da gripe. A vacinação também é de suma importância nesse momento para reduzir os impactos dos serviços de saúde”, afirmou.

Como a vacina muda todos os anos

A vacina contra a gripe não é a mesma de um ano para o outro. A fórmula é atualizada para acompanhar as cepas que mais circulam no mundo.

Em 2026, por exemplo, a vacina foi ajustada com base nesse monitoramento global. A versão tetravalente, indicada a partir dos seis meses de idade, protege contra quatro tipos de vírus.

Já a vacina Efluelda, voltada para pessoas acima de 60 anos, passou a ser trivalente neste ano. A linhagem Yamagata foi retirada após não apresentar circulação desde 2023, sem prejuízo à proteção.

Por quanto tempo a vacina protege

Outro ponto importante ajuda a entender a necessidade da vacinação anual: o tempo de proteção é limitado. A resposta imunológica ocorre em até duas semanas. Depois disso, a proteção máxima dura entre três e quatro meses, com efeito residual que pode chegar a um ano.

Por isso, o ideal é se vacinar antes do período de maior circulação do vírus, geralmente entre março e maio.

Idosos, crianças menores de 6 anos, gestantes e pessoas com comorbidades apresentam maior risco de complicações, internações e óbito. Priorizar esse público é fundamental para evitar casos graves e óbitos por influenza.

Idosos têm versão mais potente da vacina

Para quem tem mais de 60 anos, a proteção é reforçada. A vacina Efluelda contém quatro vezes mais antígenos do que a versão convencional, o que aumenta em cerca de 24% a eficácia nessa faixa etária.

Com o envelhecimento, o sistema imunológico tende a responder com menos intensidade. A dose reforçada ajuda a compensar essa diferença“, explica o Dr. José Geraldo.

Mesmo com a dose ampliada, não há aumento relevante de efeitos adversos, e a aplicação continua sendo anual e em dose única.

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Como funciona a vacinação em crianças

O esquema vacinal muda para quem nunca tomou a vacina. Crianças entre seis meses e oito anos precisam de duas doses na primeira vacinação, com intervalo de um mês. Nos anos seguintes, apenas uma dose é necessária.

Vale a regra: crianças que receberam duas doses na primeira vacinação devem receber apenas uma dose nos anos posteriores“, esclarece o médico.

A partir dos nove anos, o esquema é o mesmo dos adultos. Crianças menores de seis meses não devem ser vacinadas. Nesse caso, a proteção vem da vacinação da gestante.

A melhor forma de proteção para esse grupo é a vacinação da gestante, que transfere anticorpos ao bebê“, orienta.

Quem pode tomar a vacina com segurança

Pessoas com alergia a ovo podem se vacinar normalmente. A quantidade presente na fórmula é considerada insuficiente para causar reações na maioria dos casos.

A recomendação muda apenas para quem já teve anafilaxia grave, que deve buscar orientação médica.

As reações, quando ocorrem, são leves e passageiras, como dor no local, febre baixa e mal-estar, geralmente desaparecendo em até 48 horas.

Por que algumas pessoas adoecem mesmo vacinadas

Um dos motivos de confusão é que a vacina não protege contra todos os vírus respiratórios. Ela não previne infecções causadas por rinovírus, adenovírus, metapneumovírus ou vírus sincicial respiratório.

Ela imuniza exclusivamente contra a gripe causada pelo influenza”, reforça o epidemiologista.

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Gripe ou COVID-19? Sintomas podem confundir

Com as variantes mais recentes da COVID-19, os sintomas ficaram ainda mais parecidos com os da gripe. “Com as variantes mais recentes da COVID-19, o quadro clínico ficou ainda mais parecido com o da gripe”, afirma.

Por isso, o diagnóstico correto depende de testes laboratoriais. A vacina contra gripe pode ser aplicada no mesmo dia da vacina contra a COVID-19. No entanto, não é indicada para quem está com infecção aguda.

Não é recomendado se vacinar se estiver com alguma doença infecciosa aguda. O ideal é que a pessoa esteja sem febre e sem sintomas no dia da aplicação”, alerta o especialista.

Salvador já tem vacinação disponível

A vacina contra influenza já está disponível nas unidades de saúde de Salvador e protege contra H1N1, H3N2 e influenza B. A imunização é a forma mais segura de evitar complicações e internações, além de ajudar a reduzir a circulação do vírus.

Se você faz parte dos grupos prioritários, procure o posto de saúde mais próximo, de segunda a sexta, das 8h às 16h.

Confira aqui os POSTOS DE VACINAÇÃO EM SALVADOR.

 

Fonte: clique aqui.

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