HomeSaúde

Poluição agrava alergias e doenças respiratórias no inverno

Tempo de Leitura: 4 minutos

Julho exige atenção redobrada de quem sofre com alergias e doenças respiratórias. Além das temperaturas mais baixas e da queda da umidade do ar, o inverno favorece o aumento da concentração de poluentes na atmosfera, criando um cenário que intensifica sintomas como espirros, congestão nasal, tosse e falta de ar.

Nesse sentido, especialistas reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças alérgicas, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo e costumam se agravar durante os meses mais frios do ano.

Segundo a médica Dra. Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias, a qualidade do ar tem papel fundamental na saúde das vias aéreas e, por isso, influencia diretamente a intensidade dos sintomas.

“A poluição funciona como um agente irritante permanente para a mucosa respiratória. Quando ela se associa ao clima seco do inverno, observamos um aumento importante dos sintomas alérgicos e das doenças respiratórias, especialmente em pessoas que já possuem alguma predisposição”, explica.

Imagem: Magnific

Milhões de pessoas convivem com alergias respiratórias

As doenças alérgicas estão entre os problemas crônicos mais frequentes da atualidade. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição atmosférica está relacionada a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano em todo o planeta. Além disso, a entidade estima que entre 30% e 40% da população mundial apresente algum tipo de doença alérgica.

No Brasil, a rinite alérgica figura entre as condições mais comuns. Estimativas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que aproximadamente 30% dos brasileiros apresentam sintomas relacionados à doença, que pode comprometer significativamente a qualidade de vida quando não recebe tratamento adequado.

Além do desconforto diário, crises frequentes podem afetar o sono, reduzir o rendimento no trabalho e nos estudos e favorecer o desenvolvimento de outras complicações respiratórias. Por isso, o acompanhamento médico é essencial para controlar os sintomas e evitar o agravamento do quadro.

Por que a poluição piora durante o inverno?

Nos meses mais frios, fatores climáticos dificultam a dispersão dos poluentes presentes no ar. Em primeiro lugar, a redução das chuvas diminui a limpeza natural da atmosfera. Ao mesmo tempo, a inversão térmica impede que essas partículas se dispersem para camadas mais altas.

Como consequência, poluentes provenientes da queima de combustíveis, das emissões industriais e da fumaça permanecem concentrados próximos ao solo, justamente onde as pessoas respiram. Dessa forma, esse acúmulo favorece a irritação das vias respiratórias e aumenta a inflamação da mucosa nasal.

“Essas partículas entram em contato direto com as vias respiratórias, provocando irritação, inflamação e aumento da produção de secreções. Em pessoas alérgicas, essa resposta costuma ser ainda mais intensa”, afirma a especialista.

Além dos poluentes externos, o inverno também favorece a permanência em ambientes fechados, onde a circulação do ar costuma ser menor. Consequentemente, aumenta a concentração de poeira, ácaros, mofo e outros agentes que desencadeiam crises alérgicas.

O nariz funciona como a primeira barreira de defesa

O nariz desempenha um papel essencial na proteção do organismo. A mucosa nasal produz secreções capazes de reter partículas de poeira, vírus, bactérias e outros agentes presentes no ar, enquanto pequenos cílios microscópicos ajudam a eliminar essas impurezas.

No entanto, quando há exposição constante ao ar seco e à poluição, esse sistema de defesa perde eficiência. Com isso, a mucosa fica mais ressecada e irritada, facilitando o surgimento ou agravamento de sintomas respiratórios.

Entre os sinais mais comuns, por exemplo, estão:
  • espirros repetitivos;
  • congestão nasal;
  • coriza;
  • coceira no nariz;
  • irritação na garganta;
  • tosse persistente;
  • chiado no peito;
  • agravamento das crises de rinite e asma.

Além disso, durante o inverno, é comum que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados e com pouca circulação de ar. Assim, a exposição prolongada aos alérgenos domésticos potencializa os efeitos da poluição e do clima seco sobre as vias respiratórias.

Crianças, idosos e pacientes crônicos precisam de mais cuidados

Embora qualquer pessoa possa sentir os efeitos da poluição, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade. Entre eles estão crianças, idosos, pessoas com rinite alérgica, pacientes asmáticos e indivíduos com doenças respiratórias crônicas.

Nas crianças, o sistema respiratório ainda está em desenvolvimento. Já os idosos podem apresentar menor capacidade de defesa do organismo. Da mesma forma, pessoas com doenças respiratórias pré-existentes tendem a sofrer com crises mais frequentes, maior inflamação das vias aéreas e necessidade de atendimento médico.

Por esse motivo, especialistas recomendam atenção redobrada durante os meses mais frios, especialmente quando os índices de qualidade do ar apresentam piora.

Medidas simples ajudam a proteger as vias respiratórias

Mesmo sem conseguir eliminar totalmente a exposição aos poluentes, é possível adotar hábitos que reduzem seus impactos sobre o organismo.

Entre as principais recomendações estão:
  • manter boa hidratação ao longo do dia;
  • realizar lavagem nasal com soro fisiológico;
  • manter os ambientes limpos e ventilados;
  • evitar exposição prolongada em horários de maior concentração de poluentes;
  • acompanhar os índices de qualidade do ar;
  • evitar fumaça de cigarro e queimadas;
  • manter o tratamento das alergias respiratórias conforme orientação médica.

“A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas mais simples e eficazes para remover partículas inaladas e manter a mucosa hidratada. Além disso, ela ajuda a reduzir a irritação causada tanto pela poluição quanto pelo ar seco”, orienta a médica.

Ainda segundo a especialista, manter uma boa ingestão de água ao longo do dia também contribui para preservar a hidratação das mucosas e fortalecer a barreira natural do sistema respiratório.

Imagem: Magnific

Quando procurar ajuda médica?

A avaliação médica deve ser feita sempre que os sintomas se tornarem frequentes, persistentes ou começarem a comprometer a rotina. Dessa maneira, o tratamento precoce pode evitar o agravamento das crises e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Os principais sinais de alerta incluem:
  • Crises alérgicas recorrentes;
  • congestão nasal constante;
  • tosse persistente;
  • chiado no peito;
  • falta de ar;
  • dificuldade para respirar durante atividades simples;
  • piora progressiva dos sintomas respiratórios.

“Muitas pessoas se acostumam a conviver com sintomas respiratórios e acabam normalizando o desconforto. No entanto, nariz entupido constante, crises frequentes de rinite ou dificuldade para respirar merecem investigação médica”, conclui a Dra. Cristiane.

Fonte: clique aqui.

Você gostou desse conteúdo? Compartilhe!

COMMENTS