O Dia dos Pais, celebrado no próximo domingo (9), costuma reunir famílias em momentos de comemoração e afeto. A data, no entanto, também convida a uma reflexão sobre o autocuidado masculino. Em meio à rotina de trabalho, responsabilidades domésticas e criação dos filhos, muitos pais deixam a própria saúde em segundo plano. Especialistas alertam que essa escolha afeta não apenas o bem-estar individual, mas também influencia diretamente os hábitos das crianças.
O profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício com foco em adesão ao treino, explica que o comportamento dos pais exerce papel importante na formação dos filhos.
“Quando um pai decide cuidar da própria saúde, ele não deve fazer pensando apenas nele. Naturalmente, torna-se uma referência diária para os filhos, mostrando que cuidar da qualidade de vida faz parte da rotina. As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso, e isso vale também para os hábitos relacionados à atividade física”, afirma.
O exemplo começa dentro de casa
A influência paterna sobre os hábitos dos filhos é confirmada por pesquisas científicas. Um estudo publicado no Journal of Physical Activity and Health identificou que pais fisicamente ativos aumentam significativamente as chances de seus filhos também praticarem atividades físicas de forma regular. Entre meninos, essa influência mostrou-se tão relevante quanto a exercida pelas mães.
Segundo os pesquisadores, incentivar o exercício físico dentro do ambiente familiar representa uma estratégia importante para promover saúde desde a infância e reduzir o risco de doenças relacionadas ao sedentarismo ao longo da vida.
Para Jauan Anselmo, pequenas mudanças na rotina já podem fazer diferença.
“Não é preciso passar horas na academia todos os dias. O mais importante é manter constância e mostrar para os filhos que cuidar da saúde faz parte da vida. Uma caminhada, uma corrida no parque ou até uma brincadeira ativa em família já ajudam a construir esse exemplo”, destaca.
Manter a rotina ainda é o maior desafio
Apesar de os homens representarem a maior parcela dos praticantes regulares de atividade física no Brasil, a constância ainda é um desafio. Dados do Panorama Setorial Fitness Brasil 2024 apontam que eles correspondem a 62% dos praticantes de exercícios físicos, enquanto as mulheres representam 38%. A maior concentração está na faixa etária entre 36 e 45 anos, perfil que reúne boa parte dos pais brasileiros.
Mesmo assim, muitos interrompem os treinos após o nascimento dos filhos ou diante do aumento das responsabilidades. Segundo o especialista, também é comum que homens iniciem programas de exercícios motivados apenas pela estética, utilizem cargas inadequadas ou desistam ao não perceber resultados rápidos.
“O perfil do pai que chega até mim quase sempre é parecido: ele quer treinar, sabe que precisa, mas acredita que não tem tempo. Entre trabalho, filhos e responsabilidades da casa, acaba colocando a própria saúde sempre em segundo plano. O problema é que isso se acumula durante anos e, quando percebe, já perdeu condicionamento, ganhou peso ou desenvolveu alguma doença que poderia ter sido evitada”, ressalta.
De acordo com ele, adaptar o treinamento à realidade de cada pessoa aumenta as chances de manter a prática ao longo do tempo. Nesse cenário, o acompanhamento online tem se tornado uma alternativa por permitir horários flexíveis e prescrição individualizada.
Autocuidado ainda é um desafio para os homens
Os reflexos desse comportamento aparecem nos indicadores de saúde. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres no Brasil. A diferença está relacionada, entre outros fatores, à menor procura por ações preventivas, ao autocuidado insuficiente e à busca tardia por atendimento médico.
A Revista Psicologia, Diversidade e Saúde (RPDS) publicou, em 2025, uma pesquisa que identificou que muitos homens procuram os serviços de saúde apenas quando já apresentam sintomas ou doenças instaladas, inclusive aqueles que trabalham na área da saúde.
Na avaliação de Jauan Anselmo, mudar essa realidade depende de uma transformação na forma como a saúde é encarada.
“Existe uma ideia equivocada de que cuidar de si é algo secundário quando se tem filhos, sendo exatamente o contrário. O pai que preserva sua saúde aumenta as chances de acompanhar o crescimento dos filhos com disposição, autonomia e qualidade de vida, permanecendo presente e ativo durante muitos anos”, conclui.
Você gostou desse conteúdo? Compartilhe!

COMMENTS