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LLYC alerta para recuo do apoio público à diversidade

A consultoria global LLYC acaba de divulgar um relatório que analisa o apoio corporativo e midiático à diversidade LGBTQ+ nos últimos três anos. O estudo, elaborado com ferramentas de Big Data e inteligência artificial, identificou um recuo de aproximadamente um terço no compromisso ativo de marcas e uma queda de 10% por trimestre na cobertura da imprensa sobre temas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). O volume de conversas na rede social X reduziu-se em 50%, e o discurso de ódio digital contra a comunidade LGBTQ+ cresceu 38% a nível global e 26,8% no Brasil.

A pesquisa abrangeu 12 países, incluindo o Brasil, e analisou 15,1 milhões de notícias, 202 milhões de publicações em redes sociais e centenas de imagens geradas por algoritmos. Os resultados mostram que o apoio institucional tornou‑se sazonal, concentrando‑se quase que exclusivamente no mês de junho, período tradicionalmente associado ao Orgulho LGBTQ+, e desaparecendo nos demais meses do calendário.

A diminuição de conteúdo positivo criou um vácuo informativo que, segundo a LLYC, foi absorvido por algoritmos de IA generativa. Testes realizados com os principais sistemas de linguagem revelaram que conceitos de autonomia, independência e sucesso foram associados 140% mais frequentemente a perfis cisgêneros e heterossexuais. Em contraste, respostas direcionadas a perfis LGBTQ+ apresentaram maior incidência de narrativas de vulnerabilidade, medo e rejeição.

Carmen Gardier, diretora sênior e responsável pelo Comitê de Diversidade da LLYC Brasil, explicou que a escassez de notícias estruturadas sobre diversidade alimenta viés algorítmico. "A falta de fontes contínuas e responsáveis faz com que os modelos de linguagem aprendam apenas com o que permanece disponível na internet", afirmou.

Além do viés textual, a análise identificou que cerca de 70% das imagens neutras geradas por IA para perfis LGBTQ+ continham estereótipos ou símbolos explícitos, indicando dificuldade das ferramentas em representar a comunidade de forma natural em contextos corporativos.

O relatório alerta que a estratégia de neutralidade adotada por algumas empresas, visando evitar controvérsias, pode gerar risco reputacional. Entre as empresas da Fortune 500 que mantinham políticas DEI visíveis em 2023, um terço reduziu sua presença institucional nos últimos anos, ampliando o espaço para discursos hostis. No X, três em cada cinco mensagens relacionadas ao coletivo configuram ataques diretos, frequentemente disfarçados como defesa da família tradicional.

Para mitigar a tendência, a LLYC recomenda que as organizações adotem responsabilidade algorítmica, auditando suas ferramentas tecnológicas e mantendo posicionamento ativo ao longo de todo o ano, em vez de concentrar ações apenas no período de junho. "O silêncio corporativo atual pode apagar o futuro de muitos", concluiu Gardier.

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