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Paternidade pode ser um motivo a mais para homens cuidarem da própria saúde

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Ser pai também é aprender a cuidar de si. Entre consultas adiadas, exames deixados para depois e uma rotina em que quase sempre existe algo mais urgente, a própria saúde pode acabar perdendo espaço. A paternidade não transforma automaticamente esses hábitos, mas pode acrescentar um motivo para revê-los: para cuidar dos filhos por muitos anos, quanto é preciso cuidar de quem cuida deles?

A reflexão ganha força no Dia dos Pais. Segundo o Ministério da Saúde, 31% dos homens brasileiros não tinham o hábito de procurar os serviços de saúde para monitorar o próprio estado e prevenir doenças. Entre as barreiras socioculturais apontadas pelo órgão estão o medo de descobrir um problema e a ideia de que o homem precisa demonstrar força e resistência.

Imagem: Magnific

A dificuldade, porém, não cabe na explicação simplista de que “homem não gosta de ir ao médico”. Estudos brasileiros sobre a relação dos homens com os serviços de saúde identificam desde questões culturais ligadas à masculinidade até obstáculos práticos, como trabalho, disponibilidade de tempo e funcionamento dos próprios serviços.

Em estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública, os pesquisadores Romeu Gomes, Elaine Ferreira do Nascimento e Fábio Carvalho de Araújo analisaram as explicações dadas por homens de diferentes níveis de escolaridade para a menor procura por atendimento. Outros trabalhos realizados na atenção básica também identificaram obstáculos individuais e relacionados à organização dos serviços de saúde.

Assim, cuidar da saúde não depende apenas de uma decisão individual: envolve também fatores culturais e dificuldades práticas de acesso. Nesse cenário, a paternidade pode oferecer uma motivação adicional para alguns homens reverem a relação com o próprio cuidado.

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Quando os filhos mudam a perspectiva

Tornar-se pai não significa necessariamente adotar hábitos mais saudáveis. Um estudo publicado no Journal of Marriage and Family analisou mudanças na saúde dos homens durante a transição para a paternidade e encontrou efeitos em diferentes direções: houve redução no consumo de álcool, mas também ganho de peso e piora na percepção dos participantes sobre a própria saúde.

Os resultados reforçam que a chegada de um filho não produz, por si só, uma melhora geral nos indicadores de saúde. A nova responsabilidade, entretanto, pode modificar a forma como alguns homens percebem o cuidado consigo mesmos.

É uma mudança que a médica Josie Velani Scaranari, clínica geral que atua no Sabin Diagnóstico e Saúde, diz perceber entre alguns pacientes.

De maneira geral, a paternidade desperta um senso maior de responsabilidade e a compreensão de que é preciso estar saudável para acompanhar o crescimento dos filhos”, afirma.

Segundo Josie, essa preocupação pode se tornar ainda mais evidente entre homens que chegam à paternidade mais tarde. Nesses casos, a idade também pode ampliar a percepção sobre a importância da prevenção.

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Prevenir não é fazer todos os exames

Mas o que significa cuidar da saúde antes que apareça um problema? A prevenção não deve ser confundida com uma bateria igual de exames para todos os homens. O acompanhamento depende de características individuais, como idade, histórico familiar, hábitos de vida, sintomas e fatores de risco.

A avaliação de um profissional de saúde ajuda a definir quais cuidados e exames são indicados para cada pessoa. Exames laboratoriais ou avaliações específicas podem ser necessários conforme o perfil individual, mas não existe uma lista única de “check-up” que sirva para todos.

O mesmo cuidado vale para a avaliação da próstata. A necessidade de investigar sintomas ou discutir estratégias de rastreamento deve considerar fatores individuais e as recomendações aplicáveis a cada situação.

A individualização ajuda tanto a evitar procedimentos desnecessários quanto a identificar cuidados importantes para cada pessoa.

É justamente nesse intervalo entre sentir-se bem e descobrir que algo não vai bem que a prevenção pode fazer diferença.

“A prevenção permite identificar alterações ainda no início, quando as chances de controle e tratamento costumam ser maiores”, destaca Josie.

Por onde começar

Para quem não mantém acompanhamento regular, o primeiro passo não é procurar um especialista diferente para cada possível doença nem realizar exames indiscriminadamente. Uma avaliação individual ajuda a identificar necessidades de saúde, fatores de risco e os cuidados adequados ao perfil de cada pessoa.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção primária é a principal porta de entrada para esse acompanhamento e, quando necessário, pode encaminhar o paciente para outros pontos da rede.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), do Ministério da Saúde, busca ampliar e facilitar o acesso da população masculina às ações e aos serviços de assistência integral à saúde.

Para muitos pais, a saúde continuará disputando espaço com trabalho, compromissos e responsabilidades familiares. O Dia dos Pais pode servir também para inverter essa lógica: reservar tempo para cuidar de si é uma forma de buscar saúde e qualidade de vida para acompanhar as diferentes fases de quem cresce ao lado deles.

 

Fonte: clique aqui.

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