Inflação, alta do diesel e subsídios bilionários são os principais vilões apontados por prefeituras para elevar passagens em São Paulo, Rio, Fortaleza e BH
O ano de 2026 começou com um peso extra no orçamento de milhões de brasileiros que dependem do transporte público. Desde os primeiros dias de janeiro, passageiros de pelo menos cinco capitais — incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — já pagam mais caro para se deslocar. Os reajustes variam, em média, de 6% a 20%, superando em alguns casos a inflação acumulada do período anterior.
Cenário nas capitais
Em São Paulo, a tarifa dos ônibus municipais subiu nesta terça-feira (6) de R$ 5,00 para R$ 5,30. No mesmo dia, o governo estadual reajustou as passagens do sistema sobre trilhos (Metrô e CPTM) de R$ 5,20 para R$ 5,40. A gestão municipal justificou que o valor estava congelado há anos e que o reajuste atual ficou abaixo da inflação acumulada desde a última grande atualização.
No Rio de Janeiro, o aumento entrou em vigor no dia 4 de janeiro. O valor das passagens de ônibus, BRT e VLT passou de R$ 4,70 para R$ 5,00. A prefeitura carioca ressalta, no entanto, que o valor real da tarifa técnica (o custo efetivo por passageiro) foi fixado em R$ 6,60, ou seja, com uma diferença de R$ 1,60, coberta por subsídios do município para não onerar ainda mais o usuário.
A situação é ainda mais crítica em Belo Horizonte, que agora possui uma das tarifas mais caras do país. Desde o dia 1º de janeiro, o valor da passagem principal saltou de R$ 5,75 para R$ 6,25, um aumento de 8,6%.
Outras capitais, como Fortaleza (de R$ 4,50 para R$ 5,40) e Florianópolis (tarifa via QR Code chegando a R$ 7,70), também seguiram a tendência de alta.
Por que as passagens subiram?
As prefeituras e consórcios de transporte apontam uma “tempestade perfeita” de fatores econômicos para justificar os novos valores. Os principais motivos incluem:
Custos operacionais em alta: O preço do diesel, lubrificantes, pneus e peças de reposição continua sendo o vilão das planilhas de custo. Segundo a Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), esses insumos têm impacto direto no cálculo da tarifa técnica;
Mão de obra: Os reajustes salariais de motoristas, cobradores e demais funcionários do sistema, essenciais para evitar greves, são repassados para o custo final do sistema;
Déficit e subsídios: Em muitas cidades, o valor pago pelo passageiro na catraca não cobre o custo real da viagem. Em São Paulo, por exemplo, o sistema de ônibus custaria mais de R$ 11,00 por viagem sem o subsídio da prefeitura. Com o orçamento público pressionado, parte dessa conta acaba sendo transferida para a tarifa do usuário;
Congelamentos anteriores: Algumas administrações, como a da capital paulista, argumentam que seguraram os preços nos anos anteriores (especialmente em anos eleitorais ou pós-pandemia), gerando uma defasagem que precisou ser corrigida agora;
Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!
Para o trabalhador, a conta final pesa. Quem utiliza duas conduções por dia em São Paulo, por exemplo, terá um gasto mensal adicional significativo, corroendo parte do reajuste do salário mínimo vigente.
Você gostou desse conteúdo? Compartilhe!

COMMENTS