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Agosto Branco reforça diagnóstico precoce do câncer de pulmão

Tempo de Leitura: 4 minutos

O câncer de pulmão continua entre os principais desafios da saúde pública no Brasil. Além da gravidade da doença, o diagnóstico tardio dificulta o tratamento e reduz as chances de cura. Segundo dados reunidos pelo Instituto Oncoguia, cerca de 90% dos casos ainda chegam ao diagnóstico em fases avançadas.

Diante desse cenário, o Agosto Branco busca ampliar a conscientização sobre a doença e destacar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Na Bahia, o Instituto ProPulmão desenvolve pesquisas e ações de rastreamento voltadas principalmente para pessoas com maior risco de desenvolver câncer de pulmão.

Rastreamento ajuda a identificar a doença precocemente

O rastreamento do câncer de pulmão não atende toda a população. A estratégia concentra-se em pessoas que apresentam maior risco, especialmente fumantes e ex-fumantes que se enquadram nos critérios dos protocolos clínicos.

Nesse grupo, médicos podem indicar a Tomografia Computadorizada de Baixa Dose (TCBD) para procurar sinais da doença antes do aparecimento de sintomas. A decisão depende da avaliação individual, que considera idade, histórico de tabagismo e outros fatores de risco.

Desde 2012, o Instituto ProPulmão desenvolve pesquisas nessa área. Segundo a instituição, os estudos já envolveram milhares de fumantes e ex-fumantes, contribuíram para dezenas de diagnósticos e geraram mais de 20 publicações científicas internacionais. Além disso, o trabalho reúne uma rede com mais de 100 pesquisadores colaboradores.

Para o presidente do Instituto ProPulmão, o cirurgião torácico Ricardo Sales, identificar o câncer em uma fase inicial pode mudar as possibilidades de tratamento.

“Quando falamos em câncer de pulmão, o tempo faz diferença. Descobrir a doença precocemente amplia as possibilidades de tratamento e pode mudar completamente a história do paciente.”

Pesquisa amplia estratégias de rastreamento na Bahia

O Instituto ProPulmão mantém parceria com instituições de saúde e pesquisa, entre elas a Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer. A colaboração aproxima pesquisa científica, rastreamento, diagnóstico e assistência.

Além disso, uma das iniciativas desenvolvidas pelo instituto é a Unidade Móvel de Saúde Respiratória, conhecida como Carreta da Saúde Respiratória. O projeto busca levar o rastreamento de doenças respiratórias a diferentes regiões da Bahia e apoiar pesquisas sobre a detecção precoce do câncer de pulmão.

A unidade já passou por Salvador, Feira de Santana, Serrinha e Santo Antônio de Jesus. Durante essa etapa, a equipe ampliou o acesso ao rastreamento entre pessoas com maior risco para a doença.

Agora, a carreta passa por uma fase de reestruturação. Segundo o Instituto ProPulmão, a unidade receberá um novo tomógrafo e uma nova identidade visual antes de retomar as atividades. O instituto ainda divulgará o cronograma e as cidades que participarão da próxima etapa.

Fotos: ProPulmão

Brasil deve registrar mais de 35 mil novos casos

Os números nacionais reforçam a importância de ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce. Conforme dados apresentados pelo Instituto Oncoguia, o Brasil deve registrar 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no triênio 2026–2028.

Além disso, o país registrou 31.237 mortes pela doença em 2023. Atualmente, o câncer de pulmão ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais incidentes nos homens e a quarta entre as mulheres.

Embora o tabagismo continue como principal fator de risco, pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver a doença. Entre os fatores associados estão o tabagismo passivo, a poluição atmosférica, o gás radônio, o amianto e determinados agentes presentes no ambiente de trabalho.

Por outro lado, a medicina avançou no tratamento do câncer de pulmão. Hoje, pacientes podem contar com alternativas como terapias-alvo, imunoterapia e estratégias baseadas na medicina de precisão. Entretanto, ampliar o acesso a essas tecnologias ainda representa um desafio no Brasil.

Parar de fumar continua sendo essencial

A prevenção continua como uma das principais formas de reduzir o risco de câncer de pulmão. Nesse sentido, parar de fumar pode diminuir o risco de desenvolver a doença em qualquer idade.

Além disso, o SUS oferece tratamento gratuito para quem deseja abandonar o cigarro. As ações fazem parte de programas coordenados pelas secretarias municipais e estaduais de saúde.

Criado em 2025, o Agosto Branco busca ampliar a conscientização sobre o câncer de pulmão, combater o estigma relacionado à doença e estimular a população a procurar atendimento diante de sinais suspeitos.

Fotos: ProPulmão

Onde buscar atendimento pelo SUS na Bahia

Na Bahia, a rede pública oferece diagnóstico e tratamento especializado em unidades habilitadas como Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) e Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON).

Entre as unidades de referência estão o Hospital Aristides Maltez, o Hospital Especializado Octávio Mangabeira, o Centro Estadual de Oncologia (CICAN), o Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA), o Hospital Santa Izabel, o Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão, em Caetité, e o Hospital Dom Pedro de Alcântara, em Feira de Santana.

Para iniciar o atendimento, o paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou outro serviço do SUS. A equipe realiza a avaliação inicial e, quando necessário, encaminha o paciente para exames e atendimento especializado na rede oncológica.

Assim, o Agosto Branco reforça uma questão central no combate ao câncer de pulmão: quanto mais cedo a doença for identificada, maiores podem ser as possibilidades de tratamento. Na Bahia, pesquisas e iniciativas de rastreamento buscam justamente fortalecer esse caminho e ampliar o acesso à detecção precoce.

Dr. Ricardo Sales – Presidente do Instituto ProPulmão

Fonte: clique aqui.

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