O processo criminal de maior repercussão envolvendo o ditador venezuelano Nicolás Maduro nos Estados Unidos ficará sob responsabilidade de um magistrado experiente e conhecido por decisões duras em casos sensíveis. Aos 92 anos, o juiz federal Alvin K. Hellerstein foi designado para conduzir a ação no Distrito Sul de Nova York, uma das cortes mais estratégicas do sistema judicial americano.
Indicado e confirmado para o cargo em 1998, durante o governo de Bill Clinton, Hellerstein atua como juiz sênior desde 2011 e acumula um histórico de julgamentos ligados a terrorismo, narcotráfico e segurança nacional. Ele ganhou projeção internacional ao presidir processos decorrentes dos atentados de 11 de setembro de 2001, além de ações envolvendo organizações criminosas transnacionais.
Embora a captura de Maduro tenha ocorrido recentemente, o processo criminal contra o líder venezuelano tramita há cerca de 15 anos. Hellerstein acompanha o caso há mais de uma década e agora assume papel central após a nova denúncia apresentada pelo Departamento de Justiça americano, que reforça acusações de narcotráfico, corrupção sistêmica e uso das instituições do Estado venezuelano para fins criminosos.
Segundo a acusação, Maduro e aliados teriam transformado o aparato estatal em uma engrenagem a serviço do tráfico internacional de drogas, operando em parceria com grupos armados e cartéis, em benefício próprio e de integrantes do regime.
Histórico de decisões sensíveis
O juiz já conduziu processos envolvendo figuras-chave do chavismo. No ano passado, o ex-chefe da inteligência venezuelana Hugo Carvajal Barrios se declarou culpado diante de Hellerstein por crimes ligados ao narcoterrorismo e ao tráfico internacional de drogas, um precedente que pesa sobre o futuro jurídico de Maduro.
Especialistas avaliam que a defesa do ex-ditador deverá alegar imunidade por atos praticados enquanto chefe de Estado, argumento que promete abrir uma disputa jurídica complexa. Analistas apontam, no entanto, que não há precedentes recentes idênticos, o que torna o desfecho imprevisível.
Embates com Trump e o governo americano
Hellerstein também ganhou destaque nos últimos anos por decisões que contrariaram interesses do ex-presidente Donald Trump. Ele negou pedidos para transferir um processo criminal de suborno envolvendo Trump para a Justiça federal, ao entender que os pagamentos feitos para silenciar uma atriz de filmes adultos não tinham relação com atos oficiais da Presidência.
Além disso, o magistrado impôs limites ao uso da Lei de Inimigos Estrangeiros para deportações, criticando duramente tentativas do governo americano de enviar venezuelanos para prisões estrangeiras sem garantias mínimas de devido processo legal.
Perfil que eleva a tensão do julgamento
Com uma trajetória marcada por independência e rigor jurídico, Alvin K. Hellerstein surge como uma figura central no julgamento de Nicolás Maduro. A combinação entre sua experiência, o peso político do caso e as acusações de narcoterrorismo coloca o processo sob holofotes internacionais e amplia o impacto institucional da ofensiva judicial dos Estados Unidos contra o antigo regime venezuelano.
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