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IA amplia pressão por novos modelos de liderança

A inteligência artificial amplia a pressão sobre os modelos de educação executiva ao reduzir o tempo entre a identificação de um problema e a execução de uma resposta. Em maio de 2026, o Financial Times apontou que escolas de negócios enfrentam concorrência crescente de plataformas digitais, empresas de treinamento e outros provedores com formatos flexíveis e orientados ao desenvolvimento de competências. Segundo o jornal, o mercado global de educação executiva poderá passar de US$ 42,5 bilhões, em 2023, para US$ 98,6 bilhões em 2030.

A discussão coincide com os 30 anos da Hyper Island, fundada em 1996, em Karlskrona, na Suécia. A organização iniciou suas atividades em uma antiga prisão desativada, durante a expansão da primeira geração de tecnologias digitais. Naquele período, o termo multimídia abrangia ferramentas como Photoshop e produção em CD-ROM, enquanto a internet começava a alterar processos de comunicação, criação e negócios.

Em entrevista ao Financial Times, Heidi Rundt, CEO da Hyper Island, relacionou o momento atual à transformação digital que marcou a origem da instituição. Segundo ela, a inteligência artificial representa um novo capítulo de uma mudança iniciada nos anos 1990. A executiva afirmou que a tecnologia tem acelerado a execução em ritmo superior à capacidade de muitos líderes de tomar decisões e estabelecer uma direção.

Essa diferença de velocidade tem levado organizações a ampliar as perguntas relacionadas à adoção da IA. As demandas relatadas por empresas abrangem o uso das ferramentas, a revisão dos processos decisórios, os modelos de liderança e as formas de trabalho. Na avaliação de Rundt, o cenário exige atenção ao julgamento humano, à clareza de direção e à capacidade de orientar equipes em contextos nos quais procedimentos e referências mudam rapidamente.

A necessidade de atualização das competências também aparece em levantamentos sobre o mercado de trabalho. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades atuais dos trabalhadores serão transformadas ou perderão relevância até 2030. O estudo indica ainda que 59 em cada 100 profissionais precisarão de algum tipo de capacitação no período e que 85% dos empregadores pretendem priorizar iniciativas de desenvolvimento de competências.

O mesmo levantamento aponta que inteligência artificial, análise de dados e letramento tecnológico estão entre as competências com crescimento mais acelerado. Pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, liderança, curiosidade e aprendizagem contínua também aparecem entre as capacidades que devem ganhar importância até o fim da década.

Ao longo de sua trajetória, a Hyper Island estruturou experiências de aprendizagem baseadas em prática, reflexão, feedback e colaboração. Esses princípios procuram aproximar a formação de situações encontradas no trabalho, com atividades que envolvem experimentação, análise dos resultados e revisão de decisões. A instituição informa ter estabelecido parcerias com mais de 2 mil organizações e alcançado pessoas em mais de 40 países.

A trajetória entre 1996 e 2026 acompanha mudanças no objeto da aprendizagem profissional. No início, o desafio estava associado à compreensão de novas mídias e ferramentas digitais. Com a disseminação da inteligência artificial, a formação de lideranças passa a incorporar questões relacionadas a critérios de decisão, responsabilidade, confiança e organização do trabalho.

O aniversário ocorre em meio a uma revisão mais ampla da educação executiva. A expansão de cursos de menor duração, formatos híbridos e programas ligados a problemas concretos indica uma busca por aprendizagem conectada ao ritmo das transformações organizacionais. Três décadas depois da chegada do CD-ROM ao ambiente de trabalho, a capacidade de aprender, revisar práticas e decidir sob incerteza permanece no centro desse debate.

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