Veja como guerra na Ucrânia já faz baianos pagarem mais caro no feijão com arroz

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A ida ao mercado está pesando cada vez mais no bolso dos baianos. A alta de preço de alguns alimentos, de um mês para o outro, passa de 40%. É o caso, por exemplo, da batata doce que sofreu um reajuste de 43% entre fevereiro e março, com a saca de 35kg chegando a custar R$ 140, segundo o boletim de preços do Centro de Abastecimento da Bahia, (Ceasa). Já a caixa com 30 dúzias de ovos brancos está sendo vendida por R$ 165 – um aumento de 16% em relação ao mês passado.

A banana prata, por sua vez, custa R$ 150 na Ceasa, um aumento de R$ 50 em comparação com fevereiro. Existem ainda aqueles alimentos que apesar de não terem tido grande variação nos últimos dois meses continuam sendo vendidos mais caros do que o normal. A cenoura é um desses itens. A saca de 20kg dobrou de preço, saltando de R$ 60 em novembro, para R$ 120 em março. O tomate, que chegou a custar R$ 9,89 o quilo em mercados da capital, em dezembro, segue valendo mais: a caixa com 22kg é vendida por R$ 120. Segundo o comparativo de preços da Ceasa de fevereiro, o coentro, a couve flor e a pimenta subiram 40%.

No mês passado, o preço da cesta básica, em Salvador, aumentou 2,74% em relação a janeiro, passando a custar R$ 471,68, segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Com o reajuste, o trabalhador compromete hoje 38% do salário mínimo para comprar os 12 produtos da cesta.

E pode preparar o bolso: por conta da carestia, a comida no prato deve ficar ainda mais indigesta nos próximos meses. O economista e integrante técnico da SEI, Denílson Lima, explica que os produtos de origem agrícola devem ficar mais caros devido a guerra envolvendo duas grandes produtoras deste gênero, Rússia e Ucrânia.

“Considerando que o conflito parece que não vai se encerrar num curto prazo, que o país [Rússia] é um dos maiores produtores de trigo e petróleo do mundo e o maior exportador de fertilizantes para o Brasil, a tendência é que os preços dos alimentos no país continuem subindo”, afirma.

Alimentos de origem animal, como leite e seus derivados, além da própria carne, são apontados como os mais prováveis de subirem de preços, segundo o economista. Isso é explicado por conta do aumento do custo de produção, impactado pela crescente dos grãos que alimentam os animais no pasto. “Os animais no Brasil são alimentados com milho ou farelo de soja e ambos estão com preços aumentado no mercado internacional”, diz.

Outro fator que atrapalha a produção e aumenta o valor dos alimentos é a instabilidade climática. Eugênio Martins, coordenador geral da Ceasa, explica que a quebra de safra, ou seja, redução do que estava previsto para a colheita, por conta das chuvas gerou a escassez de certos alimentos e, consequentemente, alta nos preços.

“O motivo do aumento é sempre escassez de mercadoria, perda ou quebra de safra. Itens como cenoura, tomate, cebola, pimentão subiram violentamente e ainda não foram reestabelecidos em termo de reposição. É a lei da oferta e da procura, se está faltando, sobe o preço”, afirma.

Atenta a lei que rege o comércio, Selma Magnavita, presidente do Movimento de Donas de Casa e Consumidoras da Bahia (Mdccb), afirma que a substituição de alimentos deve ser feita, para evitar que não sobre dinheiro para outras contas no final do mês. “O que a gente recomenda é se achou aquele produto que faz parte do seu cardápio muito caro, você não compra. Porque a demanda aumenta a oferta, então recomendo sempre que substitua ou diminua a quantidade da compra”, alerta.

Do conjunto dos 12 protudos que integram uma cesta básica, nove registraram elevação nos preços no mês passado, a saber: banana-prata (7,73%), café moído (7,63%), pão francês (6,14%), açúcar cristal (4,47%), manteiga (3,83%), óleo de soja (3,62%), carne bovina (3,47%), arroz (2,61%) e feijão (1,23%). Por outro lado, três apresentaram redução: leite (-3,27%), farinha de mandioca (-1,70%) e tomate (-0,35%

Confira o que está valendo comprar no mercado

Apesar de o cenário não ser animador, alguns itens do mercado apresentaram queda de preço na capital em fevereiro, segundo o comparativo de preços da Ceasa. Campeã de benefício, a abóbora chegou a ter uma redução de 33%, custando R$1,80 o quilo. Outros produtos também tiveram redução durante o mês: batatinha comum (-25%), agrião (-20%), repolho (-16,7%), abobrinha (-16,7%), salsa (-12,5%), jilo (-12,5%), beterraba (-11,1%) e quiabo (-10%).

Enquanto isso, os consumidores vão se virando como podem para contornar o aumento de preços. Fazer compras menores e experimentar produtos mais baratos costumam ser aliados na hora de ir às compras. Além disso, consultar preços em diferentes mercados é uma boa opção, uma vez que é comum que os valores sofram variações.

A estudante Inara Almeida, 20, passou os dois anos de pandemia morando em Feira de Santana com a família. Se de lá ela já podia perceber o aumento dos alimentos, agora tá sentindo no bolso. Com o retorno das aulas presenciais da Universidade Federal da Bahia, a jovem voltou a dividir apartamento com outras colegas e está comprovando o que já imaginava: que quase tudo está mais caro.

“Eu nunca fui aquela pessoa que briga por centavos, que deixa de levar algum item porque tem outro que é R$0,30 mais barato […] Hoje em dia não mais, eu preciso realmente parar e ter tempo para fazer supermercado, para pesquisar e abrir mão de um produto que eu sei que é bom para testar outro mais barato”, conta. Ela diz que a carne é o produto mais caro da sua lista de mercado.

Maria Vitória Silva, 21, também conta que a família tem sentido o aumento dos preços. Acostumados a fazerem compras mensais que enchiam o carrinho, agora ela e os pais resolveram ir às compras aos poucos: “Aqui em casa a gente está comprando menos, antes fazíamos um mercadão para o mês. Agora a gente compra pouco e vai repondo, porque não dá para fazer um mercado grande, está muito caro”.

Box para o impresso – Confira a variação de preços em mercados da capital (8/3)

Banana prata

Bompreço: R$ 6,09

Hiper G.Barbosa (Brotas): R$ 6,59/kg

Cenoura

G.Barbosa (Costa Azul): R$ 8,95/kg

Mercantil Rodrigues (Água de Meninos): R$ 10,89/kg

Tomate

Bompreço: R$ 9,19/kg

Hiperideal: R$ 9,75/kg

Arroz branco

Atacadão Novo Mix (Pirajá): R$ 3,49/kg

Super Maxi (Sussuarana): R$ 4,28/kg

Café 250g

G.Barbosa (São Gonçalo): R$ 6,29

SuperMix (São Marcos): R$ 8,99

Leite 1l

Pão de Açúcar (Costa Azul): R$ 3,11

Bompreço (Brotas): R$ 3,99

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.