Ucraniano se esconde em garagem um mês após ir ao pódio olímpico

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Oleksandr Abramenko com a família, na garagem do prédio em Kiev

Há pouco menos de um mês, uma cena da Olimpíada de Inverno de Pequim emocionava: o ucraniano Oleksandr Abramenko, medalha de prata nos aéreos do esqui estilo livre, recebia um abraço do russo Ilia Burov, bronze na disputa. Na época, os países dos dois atletas viviam uma tensão política, mas sem conflitos bélicos. Até então.

O cenário mudou drasticamente em uma semana. A Rússia invadiu a Ucrânia, e começava uma guerra entre as nações. E Abramenko, protagonista na Olimpíada de Pequim por ter sido o único medalhista do seu país, passou a se esconder diariamente, para se proteger.

Atualmente, o atleta, de 33 anos, está refugiado com a esposa, Alexandra, e o filho Dmitri, de 2 anos, na garagem de seu prédio, em Kiev. É uma tentativa de ficar mais seguro que no apartamento do 20º andar, em um edifício que fica próximo ao aeroporto.

"Passamos a noite na garagem subterrânea, dentro do carro, porque o alerta de ataque aéreo estava soando constantemente. Dormir no apartamento era assustador demais. Eu mesmo via da janela como os sistemas de defesa aérea estavam trabalhando contra os mísseis inimigos, e explosões fortes eram audíveis", disse, em uma série de mensagens de texto trocadas com o jornal The New York Times.

O veículo postou uma foto da família na garagem. É possível ver os três agasalhados e sentados em um colchão. Logo atrás, está uma moto. Abramenko sabe que não pode deixar a Ucrânia, mas não tem noção de como serão os próximos dias.

"Ainda não sei se irei ou não para a guerra, não sei o processo que as pessoas que estão sendo chamadas têm de passar. Nesta altura, o nosso exército está conseguindo lidar com as ofensivas dos soldados russos e do seu equipamento”, afirmou.