Gal Gosta retorna a Salvador para show em homenagem a Milton Nascimento

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Lindo e espetacular. É assim que Gal Costa, uma das maiores vozes do país, se refere a Milton Nascimento, homenageado por ela em seu mais recente show, que será apresentado no Teatro Castro Alves, neste sábado e domingo, com ingressos esgotados para a primeira noite. É a volta de Gal aos palcos depois de um tempo afastada dos shows por causa da pandemia.

As Várias Pontas de uma Estrela, canção que dá nome ao show e foi composta por Milton e Caetano, curiosamente, não está no repertório. Mas do compositor homenageado, tem clássicos como Maria, Maria e Fé Cega, Faca Amolada, que Gal já havia gravado com Os Doces Bárbaros. "Como muitas outras de Milton, ela mostra uma garra, uma fé certeira", diz Gal sobre o motivo de incluí-la no repertório.

Mas não é só Milton o homenageado: Gabriel, filho da cantora que está com 16 anos, também é lembrado com duas canções: uma que leva o nome dele, composta por Beto Guedes e Ronaldo Bastos, e Mãe, de Caetano Veloso.

Além das canções de Milton, o show inclui músicas de outros compositores, como Açaí (Djavan), Sorte (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos) e Um Dia de Domingo (Michael Sullivan e Paulo Massadas).

Gal volta a ser dirigida por Marcus Preto, com quem ela trabalha há cerca de oito anos e é um dos responsáveis pela aproximação da cantora com novos músicos e compositores. Na banda que a acompanha na turnê estão Fábio Sá (baixo elétrico e acústico), André Lima (teclados) e Victor Cabral (bateria e percussão).

A estreia da turnê aconteceu em outubro, em São Paulo. Depois, passou por Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Fortaleza. Daqui, vai para Aracaju, Recife, Joao Pessoa, Manaus, Curitiba, Florianópolis e Natal.

Qual o significado da obra de Milton para sua carreira? Quais lembranças mais antigas que tem das canções dele e qual a primeira música dele que marcou sua vida?
A obra de Milton Nascimento é linda, maravilhosa. E como cantor, ele é incrivelmente lindo, bom, espetacular. A primeira canção que eu lembro foi Cais, a primeira que ouvi. Sempre admirei muito o trabalho dele, mas não relaciono essa canção, Cais, a nehum momento especial de minha vida.

"Fé Cega, Faca Amolada" já havia sido gravada por você com Os Doces Bárbaros em 1976. Depois de quase 50 anos, a música continua "viva"? Por que a decisão de gravá-la agora, em versão solo?
Quando se fala na obra de Milton, se pensa logo nesta canção. É impossível não destacá-la. É uma canção linda, maravilhosa. Como muitas outras de Milton, ela mostra uma garra, uma fé certeira. É um sentimento muito especial.

A canção "As várias pontas de uma estrela", apesar de dar nome ao projeto, não está no repertório do show? Isso é surpreendente, não é? O que acha da canção?
A canção, parceria dele com Caetano, não tá no repertório, mas isso não importa. O que importa é que há uma conexão entre Bahia e Minas. Então, ele com Caetano, que é baiano, e ele, que é mineiro. Eu também sou baiana. Parece todo mundo da mesma família

Gabriel (Beto Guedes – Ronaldo Bastos) é uma das músicas que você vai cantar em Salvador? "Mãe" também está no repertório? Certamente, o medley é uma homenagem, ou, ao menos, uma referência a seu filho, Gabriel. Como é a experiência da maternidade?
Sim, a canção Gabriel, que é o nome do meu filho – ele está com 16 anos, grande, mas é homenagem que faço a ele. Uma homenagem em que mostro no palco um momento em que sou puramente verdadeira, meu grande amor por ele, meu amor mais que especial, um amor de mãe.

A experiência da maternidade é uma coisa maravilhosa. Amo meu filho como nunca pensei amar alguém.

Você também inclui no repertório algumas canções que são consideradas seu "lado B", de acordo com o material enviado à imprensa. Pode revelar duas ou três dessas canções e dizer por que as incluiu? Acha que elas mereciam ser mais conhecidas?
A verdade é que são canções que o público que gosta de mim, que conhece meus disco, que conhece meu repertório por inteiro vai se conectar com elas. Então, a intenção é essa. Ser inteira, mostrar lado B a lado A, todos os lados do meu trabalho.

Você vem trabalhando com Marcus Preto desde 2015, é isso? O que essa parceria acrescentou à sua carreira e à sua maneira de se apresentar e cantar?
A minha maneira de me apresentar ela muda de acordo com o tempo. Às vezes, sou mais cênica, teatral, às vezes puramente uma cantora que utiliza a voz como meio de expressão, como maior meio de expressão. A parceria com ele é muito boa, gosto de trabalhar com ele, adoro. É um querido, conhece toda a minha história. Tem toda a minha discografia, conhece como ninguém tudo o que fiz. E é uma pessoa delicada, amorosa, gosto muito de trabalhar com ele.

Uma cinebiografia sobre você, Meu Nome É Gal, está sendo preparada. Você tem algum envolvimento direto no projeto, é uma biografia 'autorizada'? O que achou da ideia e da escolha do elenco? Curiosa para "se ver" nas telas?

Não tenho ligação direta com o filme. Conheço Dandara [a diretora] e ela me mostrou, me deu toda a ideia do filme, mas não sei detalhar, não sei dos detalhes, mas confio no taco deles, da Dandara e das pessoas, acho que vai ser bem bonito, estou muito feliz com esta homenagem.

SERVIÇO
Quando: 12 e 13 de março, sábado (21h) e domingo (20h). Ingressos esgotados para sábado
Onde: Sala Principal do Teatro Castro Alves
Quanto: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia), das filas A a Z; R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia), das filas Z1 a Z11
Classificação indicativa: Livre