Em jogo de viradas, Bahia toma gol no fim, perde, e se complica no Nordestão

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Apesar do público na Fonte Nova não ter passado de 4 mil pessoas na tarde deste sábado (5) nublado em Salvador, o protesto uníssono da torcida após o fim do primeiro tempo entre Bahia e Sport retrata bem a situação que o clube vive no momento. Pela 7ª rodada da Copa do Nordeste, o tricolor perdeu por 3 a 2 para o rival pernambucano e, dependendo de outros resultados, pode deixar a zona de classificação do torneio ainda nesta rodada.

O time comandado por Guto Ferreira mais uma vez protagonizou uma partida com pouco brilho dentro da Arena Fonte Nova e viu o adversário aproveitar muitos erros individuais e de marcação do Bahia para sair de Salvador com a vitória. Apostando num 4-3-3, o treinador precisou mexer no meio de campo já que Patrick de Lucca estava suspenso, após a expulsão contra o Sampaio Corrêa, e colocou William Maranhão para reforçar a marcação, avançando Rezende para segundo volante.

Apesar da baixa, contou com o retorno de Luiz Otávio para a zaga, o melhor da posição. Mas não foi o suficiente. O camisa 4 fez dupla com Ignácio e esteve diretamente envolvido no lance do primeiro gol do Sport, quando perdeu a bola na lateral para Cristiano, que serviu Pedro Naressi, até a bola chegar em Luciano Juba. O chute de fora da área ainda desviou levemente antes de cair no canto esquerdo de Matheus Teixeira. 1 a 0 para o Leão.

O erro no primeiro tempo, que já parecia ser inadmissível para a torcida presente na Arena – que intensificou as vaias desde já – ficou até sutil comparado às falhas que aconteceram durante a segunda etapa.

Raí marcou o primeiro gol do Bahia no jogo (Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia)

É bem verdade que, na volta do intervalo, o Bahia até ensaiou uma virada do jeito que a torcida gosta, com o time intenso, marcando em linha alta e mentalmente ligado ao jogo. Lucas Mugni, que não vinha de grandes atuações, foi fundamental ao dar uma assistência para o gol de empate, marcado por Raí, e participar diretamente da jogada no tento da virada, anotado por Rodallega. Tudo isso em menos de dez minutos do segundo tempo.
Mas faltou combinar o bom desempenho do ataque com a defesa tricolor. Do lado do Sport, um nome já conhecido da torcida do Bahia brilhou e mudou, mais uma vez, o panorama do jogo. Rodrigão, que atuou no Bahia em 2017 e não deixou saudades, fez valer a lei do ex e, além da assistência no segundo gol, marcou o terceiro e decretou a vitória dos visitantes na Fonte Nova.
Detalhe que, até esta sétima partida, o Sport havia marcado apenas quatro gols no Nordestão, sendo três deles anotados por Mikael, que não joga mais pelo clube, na segunda rodada.
Para além do placar negativo e da pressão em cima da diretoria, a partida desse sábado também marcou um recorde negativo para o Esquadrão. Essa foi a primeira derrota do Bahia contra o Sport em uma partida válida pela Copa do Nordeste.
O jogo

Após os primeiros minutos de um jogo amarrado na Fonte Nova, o Bahia foi se acomodando no campo de ataque e viu o Sport oferecer pouco perigo nos contra-ataques. Ao contrário da dificuldade que vem apresentando na temporada até o momento, o Bahia criou no primeiro tempo as principais chances de gol com jogadas pelo centro do campo. Com Daniel mais ativo e efetivo atuando como meia central, o tricolor proporcionou no primeiro tempo duas triangulações na grande área do adversário.

E se nas últimas partidas o nome de Hugo Rodallega foi decisivo para colocar a bola na tarde, na tarde de sábado a torcida precisou segurar o grito de gol no primeiro tempo e viu o goleiro do Sport, Mailson, levando a melhor nos embates com o colombiano. O atacante Raí Nascimento se mostrou ativo pelo lado direito e participou das três principais oportunidades que o Bahia teve, em uma delas roubando a bola de Sabino e servindo Rodallega, que parou, mais uma vez, no goleiro adversário.

Do outro lado, o Bahia pouco produziu com Marco Antônio, que mais uma vez deixou a desejar e ainda não convenceu em seu retorno ao Bahia.
Um dos poucos a sair de campo com atuação positiva na partida, Raí foi recompensado com o gol na segunda etapa. Mugni recebeu no lado esquerdo e deu passe cruzado rumo a entrada da grande área. Ele contou com a sorte e a bola encontrou os pés de Douglas Borel, do outro lado da área, que teve lucidez ao cruzar para o camisa 7 empatar o jogo.
Na virada, Mugni passou para Daniel, que cruzou rasteiro e deu assistência para o 8º gol de Hugo Rodallega na Copa do NE. O colombiano segue como artilheiro. 2 a 1 Bahia.

Sequência de falhas

O banho de água fria na torcida começou com Rodrigão enfiando uma bola precisa para Naressi, que passou pelo meio dos xarás Luiz Otávio e Luiz Henrique, e ainda contou com a saída do gol estabanada de Matheus Teixeira. O próprio domínio do jogador do Sport foi o suficiente para colocar a bola na rede.

No fim, André, que entrou no lugar de Douglas Borel no segundo tempo, recebeu uma bela caneta de Luciano Juba, que cruzou na medida para Rodrigão. O atacante aproveitou para subir sozinho – literalmente – e fechar o placar com o 3º gol dos pernambucanos.

Douglas Borel tenta jogada pela lateral durante o 1º tempo (Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia)

FICHA TÉCNICA

Bahia 2 x 3 Sport- 7ª rodada da Copa do Nordeste 2022

Bahia: Matheus Teixeira, Douglas Borel (André), Ignácio, Luiz Otávio e Luiz Henrique (Djalma); Rezende, Patrick (Marcelo Ryan) e Daniel (Mugni); Raí, Rodallega e Marco Antônio (Ronaldo). Técnico: Guto Ferreira.
Sport: Mailson; Ewerthon, Rafael Thyere, Sabino (Chico), Lucas Hernández (Fábio Alemão); Ronaldo, Ítalo (Bruno Matias) Pedro Naressi e Jaderson (Cristiano) ((Vanegas)); Luciano Juba e Rodrigão.

Estádio: Arena Fonte Nova – Salvador
Gols: Luciano Juba, 39 minutos do 1º tempo; Raí Nascimento, aos 9 minutos do 2º tempo, Rodallega, aos 12 minutos do 2º tempo, Pedro Naressi, aos 15 minutos do 2º tempo e Rodrigão, aos 47 minutos do 2º tempo
Cartão amarelo: Matheus Teixeira e William Maranhão (Bahia); Ewerthon (Sport)
Público: 3.566 torcedores
Renda: R$ 44.451,50
Arbitragem: Antonio Dib Moraes de Sousa, auxiliado por Rogério de Oliveira Braga e Márcio Iglésias Araújo Silva.