Cientistas acreditam que surto de hepatite na Europa é ‘só ponta do iceberg’

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Pelo menos 190 crianças e adolescentes da Europa foram diagnosticados com hepatite aguda nas últimas semanas, apontam dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças. De acordo com o cientista Simon Taylor-Robinson, hepatologista do Imperial College London, essa é só "a ponta do iceberg". Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail Online, conforme noticiou o jornal O Globo, o especialista disse acreditar que há mais casos ainda não relatados, dado o "número bastante alto" de transplantes que ocorreram para a quantidade de casos detectados da doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, até o momento, pelo menos 17 crianças necessitaram de transplante de fígado — 10% das diagnosticadas com a doença — e pelo menos uma morreu. O pesquisador acredita que os casos não relatados sejam menos graves. Por isso não foram notados pelos pais das crianças. O boletim mais recente da OMS sobre o surto de hepatite em crianças, publicado no dia 21 de abril, aponta 169 casos identificados em 11 países europeus e nos EUA. A síndrome clínica entre os casos identificados é a hepatite aguda (inflamação do fígado) com enzimas hepáticas acentuadamente elevadas. Muitos casos relataram sintomas gastrointestinais, incluindo dor abdominal, diarreia e vômitos antes da apresentação com hepatite aguda grave e aumento dos níveis de enzimas hepáticas e icterícia. A maioria dos casos não apresentou febre. Os vírus comuns que causam hepatite viral aguda (vírus da hepatite A, B, C, D e E) não foram detectados em nenhum desses casos. Viagens internacionais ou links para outros países com base nas informações atualmente disponíveis não foram identificados como fatores. O adenovírus foi detectado em pelo menos 74 casos e, do número de casos com informações sobre testes moleculares, 18 foram identificados como F tipo 41. O Sars-CoV-2 (coronavírus) foi identificado em 20 casos dos testados. Além disso, 19 foram detectados com uma co-infecção por Sars-CoV-2 e adenovírus. A OMS afirma que ainda não está claro se houve um aumento nos casos de hepatite ou um aumento na conscientização sobre casos de hepatite que ocorrem na taxa esperada, mas não são detectados. Embora o adenovírus seja uma hipótese possível, as investigações estão em andamento para o agente causador. Especialistas têm analisado o impacto da pandemia de Covid-19 no surgimento deste surto. Alguns médicos estão associando o tempo prolongado dentro de casa devido à emergência de saúde a um possível enfraquecimento do sistema imunológico das crianças. O isolamento teria impedido que os pequenos fossem expostos a infecções comuns em seus primeiros anos de desenvolvimento dos sistemas de proteção do corpo.Fonte: Bahia Notícias