Cardeais do PT consideram Wagner o grande culpado por confusão na chapa da base

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Atropelados pelo desarranjo na chapa da base aliada, parlamentares e dirigentes do PT consideram o senador Jaques Wagner o principal culpado pela turbulência que desestabilizou o bloco governista, em meio aos preparativos finais para a sucessão estadual. Embora parte da bagunça seja atribuída à decisão do governador Rui Costa de renunciar ao cargo e disputar o Senado, é Wagner o maior alvo das críticas dirigidas internamente por líderes petistas desde a implosão do xadrez eleitoral montado pelo Palácio de Ondina. As queixas se concentram na demora do senador em anunciar a desistência da candidatura ao governo e, sobretudo, na forma com a qual ele abandonou o páreo, classificada por aliados como "inconsequente".

Presente de grego
Para cardeais do PT ouvidos pela Satélite, Wagner poderia até se retirar da corrida fora do timing ideal, desde que tivesse acertado antes quem ocuparia a vaga e apresentado o novo candidato logo após confirmar sua saída. O que não foi feito. Com isso, deixou apenas a lacuna, dúvidas sobre quem irá preenchê-la e a base em crise .

Palavras ao vento
A revolta da companheirada com o senador petista é tanta que deputados da sigla resgataram e compartilharam, por meio de aplicativos de mensagem, uma postagem feita por ele no Twitter em 16 de novembro de 2021. Ironizado por suposta falta de empenho na eleição estadual, Wagner disparou: "Tem gente confundindo empolgação com arrogância. Minha empolgação sempre será crescente e duradoura. Quem caminha ao meu lado, sabe disso. E que não desempolgo no meio do caminho e nem deixo amigos na estrada". O post foi usado por aliados para expressar a decepção com a postura de Wagner nos últimos dias.

Declaração de amor
Menos resistente em aceitar o convite para assumir o lugar de Wagner, o senador Otto Alencar (PSD) impôs como condição inicial um gesto público e claro de que, hoje, é desejo do PT tê-lo como candidato e a garantia de apoio integral do partido a ele. Embora ainda se mostre indeciso sobre o espaço oferecido no palanque governista, Otto quer reduzir as chances de ser atingido por fogo amigo antes e durante a sucessão, além de assegurar força máxima na campanha, com estrutura, militância e recursos mobilizados em torno dele.

Fuga no ninho
O PSDB trabalha para evitar a perda de dois dos quatro deputados estaduais da legenda: David Rios e Carlos Geilson. Manter o primeiro é missão quase impossível. Mesmo com as tentativas do prefeito Bruno Reis (União Brasil) para convencer o parlamentar a seguir no partido, Rios colocou os dois pés na sala do Pros. Já Geilson exige que os tucanos construam uma chapa competitiva na briga pela Assembleia Legislativa.

Casa própria
Determinado a consolidar a candidatura a deputado federal, o ex-secretário estadual da Saúde Fábio Vilas-Boas pretende definir esta semana por qual partido vai concorrer. Até o início de fevereiro, o MDB era destino certo. Agora, não é mais.

Os áudios do tal Mamãe Falei, com uma série de comentários machistas sobre as refugiadas ucranianas, são estarrecedores. Ele objetifica mulheres que estão na fila para sair da guerra. Repugnante, nojento!
Alice Portugal, deputada federal pelo PCdoB, sobre a polêmica envolvendo o deputado paulista Arthur do Val (Podemos).