A pintura de Murilo se tornou mais lunar

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Murilo Ribeiro apresenta exposição inédita, com 60 quadros em óleo sobre tela, intitulada Murilo Ribeiro. Um Contador de Histórias Série Eu Nasci há Dez Mil Anos Atrás, no Museu de Arte da Bahia (MAB). Esta produção retrata seu momento atual, sua pintura renovada, o que inclui suas histórias, vivências, homenagens e inspirações de pintores da história da Arte e da Humanidade.

“Busco uma solenidade, uma impostação quase teatral, como numa ópera. Quero dar à cena imaginada, uma ideia que fuja do ordinário, da banalização da imagem. Minhas pinturas não são ilustrações, as imagens são as próprias histórias que quero contar. Espero que o público sinta a emoção cabível em cada tela. Nestes tempos de pandemia que enfrentamos tantas questões, a proposta é que paremos um pouco para festejar a Arte e a vida”.A montagem é muito bem cuidada e a iluminotecnia bem feita. Nestes quadros, Murilo optou por tamanhos médios, que facilitou muito a montagem.

Antônio Murilo de Lemos Ribeiro nasceu em Penedo (AL) em 1955. Aos 13 anos já fazia desenhos recortando papel. Quando as revistas chegavam à sua casa, ele selecionava as figuras e as recortava. Mais tarde buscou desenhar suas próprias figuras. Sua formação como artista visual se deu na Bahia. Em 1975 iniciou curso de artes plásticas na Escola de Belas Artes da Bahia. Entendeu que a disciplina é essencial na vida de um pintor.

Veja o trabalho de Murilo na mostra Um Contador de Histórias:

A imagem é a representação visual do mundo, cujo conceito foi desenvolvido por Platão. Via a arte como projeção da mente. Murilo tem suas imagens que surgem em primeiro plano e um segundo quase abstratizado, sustentando a cena. Podemos fazer uma leitura precisa desta imagem. Uma atitude reflexiva, fazer com que despertemos nossa curiosidade, buscando o que ela quer passar e o sentimento que trará. Uma imagem é uma representação gráfica, plástica ou fotográfica do mundo.

A pintura de Murilo se tornou mais lunar, os espaços escuros surgem com maior constância e traz uma atmosfera de mistérios, enigmas e segredos. Há um diálogo entre as figuras centrais e os fundos escondidos entre cores e tons escuros. Murilo funciona como repórter contemporâneo, contando histórias que vê e acrescenta ainda sátiras, ironias e sua forma sutil de transfigurar personagens.

Essas personagens correm o mundo vão da Bahia a Veneza, Toledo, Madri, Betsaída e se encontram com Sancho Pança, Goya, Os Fantasmas do Museu Nacional, Picasso, Vermeer, Van Gogh, Gauguin, numa socialização atemporal, só conta a atmosfera das cidades e das personagens. Murilo mudou Murilo e cresceu como artista e um raro observador.