O setor de cosméticos e cuidados pessoais domina 42,7% das vendas diretas (feitas por meio de empreendedores ou distribuidores independentes) no Brasil. É o que revela uma pesquisa de campo feita pela empresa CVA Solutions e divulgada pela ABEVD (Associação Brasileira das Empresas de Vendas Diretas).

Outro dado chamativo diz respeito ao perfil dos profissionais que atuam nesse modelo de negócios: 60% são mulheres e 79,5% têm de 18 a 40 anos, segundo a ABEVD.

Esse é um dos motivos que podem explicar o fato de os cosméticos estarem em primeiro lugar no ranking, avalia Wanderley Pereira de Melo, empreendedor e distribuidor independente no mercado de vendas diretas.

“Muitas mulheres se identificam com os produtos de uso contínuo, que trazem também uma grande oportunidade de penetração em outros segmentos”, afirma o especialista. Perfumes, esmaltes, maquiagens e hidratantes são alguns dos itens comercializados nessa área.

Os setores de roupas e acessórios (18%) e saúde e nutrição (10%) ocupam o segundo e terceiro lugar do ranking, respectivamente. A ABEVD cita ainda o dado de que as vendas diretas no Brasil tiveram faturamento de aproximadamente US$ 7,6 milhões (cerca de R$ 37 milhões, na cotação atual) em 2022. O valor coloca o país na sétima posição do mundo entre os maiores mercados.

Na análise de Melo, esse modelo de negócios tem grande potencial de crescimento e é vantajoso para pessoas de diferentes perfis. “O mais interessante são os altos ganhos que a venda direta proporciona. Outra vantagem é que você pode personalizar o seu atendimento e, o mais importante de tudo, o atendimento presencial, o corpo a corpo. Você consegue atender, de prontidão, o cliente e entregar o produto em mãos.”

Os benefícios incluem também flexibilidade de horário, redução de custos operacionais e facilidade para fidelizar clientes. No entanto, apesar da modalidade de negócio estar presente no mercado brasileiro desde o final da década de 1970, Melo acredita que ela ainda está “só começando” e tem muito a se desenvolver.

Desafios para o mercado de vendas diretas

Um dos desafios enfrentados está na capacitação. Segundo o especialista, muitos entram na área sem se preparar devidamente. É comum que as pessoas recusem os treinamentos que a maioria das empresas oferecem aos empreendedores e distribuidores independentes.

Existe, inclusive, uma visão de que as vendas diretas seriam apenas um “bico”, ou seja, um modelo de negócio menor e temporário. A força do mercado no Brasil e em outros países mostra o contrário, explica Melo.

“Na verdade, muitos lares no mundo todo têm 100% de suas contas pagas por meio desse trabalho. É uma área com oportunidades gigantes e muitas chances de sucesso. Vendas diretas, para mim, são a melhor opção de realização de sonhos”, conclui. 

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