Um estudo recente envolvendo pesquisadores das universidades Federal de São Paulo (Unifesp), Federal do Espírito Santo (Ufes), Estadual de Santa Cruz (Uesc) e da Universidade de Bristol, na Inglaterra, revelou que o contexto ambiental desempenha um papel significativo na compulsão por drogas de abuso, atuando como um gatilho.

Professora de neurofisiologia da Unifesp, Beatriz Monteiro Longo, que liderou o estudo, destacou influência do ambiente na dependência, uma característica que, de acordo com a literatura científica, é observada em várias drogas com potencial de abuso, sejam elas lícitas ou ilícitas, como álcool e opióides.

Ainda sobre o estudo, que pode ser verificado de forma completa no Portal do Governo do Estado de São Paulo e foi realizado em camundongos, mostrou que no primeiro experimento, o grupo que recebeu cocaína no campo aberto apresentou um aumento significativo na atividade locomotora em comparação ao grupo de controle e a eles mesmos no primeiro dia de injeção. O conteúdo publicado ainda mostra que no segundo experimento, após um período de abstinência, todos os grupos foram desafiados com cocaína e, em seguida, expostos ao campo aberto. Os grupos que receberam cocaína demonstraram um aumento na atividade locomotora, mas o grupo que associou a droga ao campo aberto exibiu uma movimentação ainda mais intensa.

Sobre o assunto, Miler Nunes Soares, médico psiquiatra e responsável pela Clínica de Recuperação em Cuiabá Granjimmy, afirmou que a cocaína causa um efeito de euforia perigoso no corpo humano e que isso pode ser constatado no estudo independentemente do ambiente, porém é possível observar no estudo que existe relação do nível de euforia com a capacidade de locomoção no ambiente onde os camundongos foram inseridos.

Segundo o estudo, os pesquisadores observaram que essa agitação reflete o efeito farmacológico da droga, que se soma ao efeito do ambiente durante a fase de expressão da dependência, imitando o desejo compulsivo pela droga em humanos quando o vício já está estabelecido. A análise das estruturas cerebrais dos animais revelou a ativação de áreas límbicas relacionadas ao controle de emoções e comportamentos. Além disso, a pesquisa mostrou que as áreas cerebrais ativadas variaram entre as fases de indução da dependência e a fase de expressão.

Ainda sobre o conteúdo do estudo publicado, os resultados fornecem insights importantes sobre o tratamento da dependência química, sugerindo que abordagens que levem em consideração tanto os aspectos farmacológicos quanto os ambientais podem ser mais eficazes. Além disso, destaca a importância de políticas públicas que promovam ambientes mais saudáveis e oportunidades culturais e de lazer como alternativas ao prazer farmacológico, especialmente em comunidades desfavorecidas.

Perguntado sobre a conclusão do estudo, Miler Nunes comentou que na Clínica de Recuperação em Sinop, localizada no Mato Grosso, são empregadas atividades de lazer com o objetivo de tornar o tratamento da dependência química mais leve para os pacientes. “Os estudos científicos são muito importantes para trazer melhorias aos tratamentos particulares e para criação de políticas públicas contra a dependência química”.

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