Empresários do varejo estiveram reunidos em São Paulo na última semana para debater as melhores possibilidades para a retomada da inclusão de crédito no setor. Essa foi a pauta do 2º Encontro RPE, evento que tentou esclarecer as melhores soluções para um negócio varejista a partir de tecnologias, estatísticas e metodologias adaptadas para ampliar e diversificar métodos de pagamento.

Promovido pela RPE, empresa brasileira de tecnologia que oferece soluções em meios de pagamento para potencializar o mercado varejista, o encontro ocorreu na última quinta-feira, (14), dentro do espaço Itaim do hotel Tivoli Mofarrej. No palco, palestras de nomes como Rony Meisler, cofundador da Reserva, Rodolfo Margato, economic research da XP Investimento, Jorge Gonçalves, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), entre outros especialistas setorizados do segmento.

Quem abriu a sequência de painéis foi o CEO da Dock, Antônio Soares. “Nossa história com o varejo é longa. Essa é a indústria mais dinâmica que existe, é uma indústria dinâmica, com um consumidor sensível, mas ao mesmo tempo é uma indústria que permite errar e acertar. Estamos ajudando não somente com a economia, mas também com a inclusão financeira”, disse em sua participação.

Antônio ainda elencou a atuação da RPE ao lado da Dock. “Dock e RPE, Antônio e Édrei [CEO da RPE], são uma coisa só. Hoje, juntos, estamos por trás de grande parte de diferentes tipos pagamentos do varejo na América Latina”.

Ainda que o cenário para o varejo brasileiro seja atualmente de positivismo – ao menos é o que indicou a Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relatando um crescimento de 0,7% em julho de 2023 em relação ao mesmo mês de 2022 -, este é um mercado que pode ir além. É o que destacou o presidente do IDV em sua passagem.

“Hoje nós representamos cerca de 560 bilhões de faturamento anual, sendo 112 bilhões de vendas online. 71 empresas associadas, 36,7 mil lojas, 17,6 milhões de m² de área construída”, adiantou Jorge Gonçalves sobre os parceiros do IDV.  “Varejo sem crédito não existe. Precisamos estar num país que tenha renda e tenha crédito. Se não, não tem varejo. Por isso esse seminário é importante. Para entendermos como incrementa o crédito no varejo”, acrescenta.

Mais a adiante, Breno Costa, diretor de novos produtos da Neurotech, subiu ao púlpito para um diagnóstico geral quanto às personas. “A provocação é pelo preparo das empresas em conceder crédito. Percebo que a maior parte das empresas está ansiosas para soltar crédito. Todo mundo fala que o pior já passou e agora preciso fazer alguma coisa aqui. Mas para saber o que é ideal no momento, precisamos entender para quem estamos concedendo crédito”, salienta.

O cotidiano de compra e venda também foi pauta. Rafael Souza, diretor de negócio da Vuon, Leonardo França, CFO da Cassol Centrelar, e Marcio Mota de Avó, diretor de facilidade e simplicidade D’Avó, se reuniram num painel para discutir em conjunto as dores dos compradores e das empresas, possibilidades e ainda formas de cativar os clientes.

 “Somos um supermercado da Zona Leste de SP. Temos um cartão fidelidade que desenvolvemos com a RPE. O cartão confiança responde por cerca de 30% de participação de nossas vendas. Fora resultado da operação, você ainda tem uma fidelidade entre a loja e o cliente. O nosso cartão confiança surgiu para podermos oferecer produtos financeiros, produtos de odontologia e ainda permitir saques. Estamos até abrindo as portas para conceder crédito”, destaca Marcio Mota de Avó.

“Temos um perfil de cliente que está na jornada da obra. Faturamos R$ 1,3 bi ano e distribuímos 31 lojas. No nosso caso, trazemos como proposta de valor do produto financeiro a transformação da casa do cliente em um lar. Sabemos que ele está numa jornada que não é fácil. Dentro do nosso ecossistema estamos integrando os profissionais da construção, ajudando-os a empreender e ensinado-os a comprar equipamento”, completa Leonardo França.

 “Somos uma empresa familiar varejista que deve faturar R$ 13 bi esse ano. Para atender a demanda nas lojas, a gente trouxe a base de crédito do cartão próprio para operação. Temos, inclusive, categorias de produtos com até 30% de desconto dentro desta base. Hoje, o cartão Vuon representa uma média de 20% das vendas do grupo. O private label é associado com o cliente C e D. Então temos que ser muito democráticos nessa construção para poder desenvolver produtos eficazes para essas pessoas. Existimos como instituição financeira para fomentar a venda no varejo”, finaliza Rafael Souza.

Já Rodolfo Margato, trouxe um apanhado que debate o cenário macro observado pela XP Investimentos. “Falando para o varejo, não acho que teremos um crescimento a curto prazo, mas não teremos também uma queda no volume. O que teremos é um crescimento modesto. A economia global tem suas incertezas, mas o pior momento de pressão inflacionária ficou para trás. 2024 vai ser um ano para opções mais claras e um corte de juros evoluído”, contextualiza.

O especialista ainda traz ao contexto a personalidade do cliente. “Se tem uma variável que afeta o humor do consumidor é a inflação. Inflação alta gera uma espiral negativa. Então precisamos observar sinais positivos em relação à inflação. Retirando itens de produtos mais voláteis chegou a 12% em 2022, hoje estão em 4%”, destaca.

Ao final, Rony Meisler trouxe um pouco de seu conhecimento e compartilhou as estratégias e ideias que tornaram a Reserva um case nacional entre marcas do vestuário. “A palavra do momento é propósito. Todo mundo quer ter um propósito para chamar de seu. E propósito não se inventa, se vislumbra. Nós estamos no varejo e aqui quem não se preocupa com as pessoas, não prospera. Varejista é gente. Nós precisamos de uma equipe motivada.Temos que acreditar nas pessoas”.

Mais de 200 pessoas participaram do 2º Encontro RPE. Lideranças, especialistas, entusiastas e tomadores de decisão do setor vieram das cinco regiões do Brasil para assistir à extensa programação de palestras.

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