No mercado financeiro existem palavras, jargões ou termos, muitos deles em inglês e utilizados globalmente para definir transações e produtos, que geram dúvidas sobre o seu significado, até para os mais familiarizados, mas principalmente entre os investidores que estão iniciando suas transações financeiras.

Uma delas é o “Ebitda”, uma sigla que vem do inglês “Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization”, e é utilizado como um dos números mais importantes para que o investidor conheça o potencial das empresas na bolsa de valores e faça seus investimentos no mercado de ações.

Em português, o Ebitda é conhecido por “Lajida” e significa “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”. Portanto se no prospecto que contempla as informações para ajudar o investidor a tomar decisões estiver Ebitda ou Lajida, trata-se do mesmo indicador.

“O indicador financeiro Ebitda mede os resultados de uma empresa, contemplando a quantidade de recursos que ela gera apenas em suas atividades principais, sem contar a rentabilidade de investimentos ou descontos de impostos”, explica Rodrigo Salim, especialista financeiro com mais de 15 anos de experiência em empresas do segmento, graduado em Direito pela Universidade Mackenzie e MBA em Gestão Empresarial pelo INSPER/IBMEC.

Não existem investimentos sem riscos financeiros, por menor que eles sejam. Até mesmo os que são considerados tradicionalmente seguros, como títulos de Tesouro, ou aplicações mais conservadoras, como as de renda fixa, podem ter algum risco de perda financeira.

Investimentos em ações de empresas são ainda mais arriscados, mas podem render retornos maiores que outras aplicações, o que é um excelente atrativo. Para tanto, é preciso acompanhar o desempenho das empresas e conhecer indicadores importantes e não tão simples, como o Ebitda.

“Por esse motivo, para quem busca esse tipo de investimento é preciso entender o que o Ebitda, em quais situações ele pode ser usado e por qual motivo ele, sozinho, não serve para chancelar se uma empresa merece receber ou não um investimento”, diz Salim.

Ele mostra se a empresa consegue fazer dinheiro com a atividade principal que ela foi criada. O Ebitda mostra, por exemplo, se uma construtora está sendo eficiente em ganhar dinheiro levantando prédios de apartamentos ou se uma fabricante de veículos está ganhando dinheiro produzindo automóveis.

Para empresas com ações na bolsa de valores, o Ebitda é utilizado para avaliar seu desempenho, pois a partir da observação desse indicador o investidor interessado em comprar ações verifica quais empresas de um mesmo segmento são mais eficientes e merecem receber o seu dinheiro.

“Como se vê, essa medição do potencial de geração de caixa permite que os investidores identifiquem quais empresas são mais eficientes em suas operações sem que fatores externos, como altas taxas de juros, interfiram nessa avaliação”, aponta Salim.

Uma curiosidade é que investidores usam o Ebitda para comparar empresas de países diferentes, pois uma empresa pode ser extremamente eficiente e promissora, mas ter sua rentabilidade afetada, enquanto uma concorrente, menos produtiva, pode ter lucros maiores, apenas em razão de tributações diferentes.

Embora o Ebitda seja geralmente apresentado pelas empresas na hora de prestar contas ao investidor, caso isso não aconteça há a possibilidade de recorrer a relatórios preparados pelos analistas do mercado financeiro e, por último, saber como as empresas fazem para chegar a esse número.

O primeiro passo para calcular esse indicador é saber o seu lucro operacional, que é a receita líquida menos as despesas que as empresas têm com a operação e com os custos das mercadorias que vendem. A fórmula mais utilizada para calcular é: lucro operacional líquido + depreciações + amortizações = Ebitda.

Mesmo sabendo um pouco mais sobre o Ebitda, é importante lembrar que impostos, juros, amortizações e depreciações que esse indicador não leva em conta são essenciais para entender, de fato, como está a saúde financeira de uma empresa.

“Assim o indicador deve ser utilizado apenas para entender o potencial de geração de caixa da empresa e sua eficiência operacional, afinal a sua lucratividade vai depender de outros indicadores”, finaliza Salim.

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